Encontro promovido pela Secretaria Municipal de Assistência Social reforça proteção integral, qualificação contínua e compromisso com a reinserção familiar
No dia 24 de fevereiro, a sala de reuniões da Secretaria Municipal de Educação recebeu uma capacitação voltada às cuidadoras da Casa Aurora, serviço de acolhimento institucional vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social de Além Paraíba. O encontro teve como foco o fortalecimento das práticas de cuidado, a qualificação da equipe e a reflexão sobre os desafios cotidianos do acolhimento.
A abertura foi conduzida pela coordenadora da Casa Aurora, Paula Rocha, que apresentou um panorama das transformações nas políticas públicas de acolhimento desde a década de 1990, especialmente após a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ela destacou que o marco legal consolidou o princípio da proteção integral e redefiniu o papel das instituições. Segundo Paula, a função essencial da Casa Aurora é garantir a proteção integral da criança e do adolescente e possibilitar, sempre que viável, o retorno ao convívio familiar. “O objetivo é fortalecer o trabalho social e investir continuamente na capacitação de cada colaborador, superando antigos estigmas, que ainda cercam os serviços de acolhimento”, pontuou.
A capacitação seguiu em formato de roda de conversa, conduzida pela psicóloga e coordenadora de Psicologia da Secretaria Municipal de Saúde, Fabrícia Alves. A profissional trabalhou aspectos centrais das relações no ambiente institucional, como comunicação entre equipe, qualidade dos vínculos estabelecidos com os acolhidos e a importância de diferenciar relações pessoais das relações profissionais. Fabrícia ressaltou a necessidade de manter acordos claros dentro da equipe, padronizar procedimentos e fortalecer o trabalho conjunto, garantindo uma comunicação objetiva e alinhada. Também abordou a importância da repetição e da organização da rotina no dia a dia das crianças e adolescentes, elemento fundamental para a construção de segurança emocional e previsibilidade.
Outro ponto enfatizado foi o sigilo das histórias de vida dos acolhidos. A psicóloga reforçou o cuidado ético no tratamento de cada trajetória, destacando que preservar essas narrativas é parte essencial do respeito à dignidade das crianças e adolescentes atendidos.
Durante o encontro, as cuidadoras compartilharam desafios enfrentados no cotidiano do serviço, abrindo espaço para reflexão sobre prevenção, escuta qualificada e a necessidade de um olhar atento às demandas individuais de cada jovem. Também foi discutida a importância de romper o ciclo da revitimização, garantindo que o acolhimento não reproduza experiências de dor ou negligência já vividas.
A organização e o planejamento das ações foram apontados como pilares para que a rotina seja cumprida com paciência, consistência e propósito, sempre com foco na reinserção familiar e na construção de novos caminhos para essas crianças e adolescentes.
A iniciativa reafirma o compromisso da Secretaria Municipal de Assistência Social com a qualificação permanente da equipe e com a consolidação de um serviço de acolhimento cada vez mais humanizado, técnico e alinhado às diretrizes da política pública de proteção social.

